segunda-feira, 3 de junho de 2013

O sofrimento de ir ao shopping ver um filme

Este sábado à noite decidi ir ao shopping ver um filme. Não fui ao cinema. Recuso-me a empregar tal palavra. Coitado do cinema, que não pediu para ser investido de entretenimento barato para seres que querem é porrada ou piadas com pilas e cus envolvidos. Fui mesmo ao shopping ver um filme. Não tenho muita experiência neste tipo de coisas, sempre foi uma elitista de merda que acha que sala de cinema que é sala de cinema tem um letreiro à entrada a dizer 'não é permitida a entrada com comida' e excluiu as cadeiras sem suportes para coca-colas de litro e meio. Pois bem, foi uma incursão no horror da humanidade. Tenho dificuldade em me lembrar da última vez que vi tanta gente feia junta. Atenção: não é um conceito estético de feio/bonita, ou económico, de marcas/feira dos ciganos, ou social, de trolha versus doutorado. Gente feia é gente feia, não interessa quanto dinheiro está em cima do corpo ou se tem o físico da Gisele Bundchen. Está para além de todos esses pressupostos. Gente feia, verdadeiro atentado ao sentido estético, são aqueles seres a falar alto, a acotovelarem-se nas filas, a passarem à frente, a dizer alarvidades para serem ouvidos cinco filas mais abaixo, a rir-se de forma abrutalhada, a aspirar energicamente pela palhinha litradas de refrigerantes, em overdose de pipocas, elas em micro-calções e outros looks copiados de revistas de moda de terceira categoria, penduradas do pescoço de putos imberbes cheios de acne ou de outros mais velhos, consumidores acérrimos de drogas para encher o músculo, e mais as famílias inteiras em risco de avc, bandos de gajos a arrotar e a ver quem diz a piada mais ordinária e grupos de amigas que parecem pegas do Intendente. No meio disto, o filme não valia um chavo.



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