quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Maxwell Sim é o meu herói


As férias têm coisas boas. Não é apenas a coragem que descobrimos que temos dentro de nós para encontrar uma praia no sul do país onde exista espaço que permita um gesto tão simples como estender uma toalha sem que os membros de uma família numerosa decidam que as nossas costas até dão uma boa mesa de apoio para as Coca-Cola de litro e os croissants com creme. Não é sequer a constatação que a esperança é, de facto, a última a morrer, porque ainda se acredita ser possível encontrar lugar numa esplanada à pinha para beber dois cafés. E não é sequer as férias darem-nos pretextos para desenvolvermos a nossa capacidade poliglota ao dizermos fuck umas dez vezes antes de entrarmos na água, ao mesmo tempo que se trabalha a imaginação para que o nosso corpo se convença que aquilo está de facto a trinta grau. E, já agora, nem o desenvolvimento da paciência não através da prática meditativa, mas da escuta durante horas do bebé do toldo do lado. No caso das minhas férias houve um livro absolutamente maravilhoso de Jonatan Coe, chamado ‘A Vida Privada de Maxwell Sim’ (escreve-se mesmo assim, como os cartões de telemóvel), que ajudou a torná-las ainda melhor. Inteligente, a transbordar humor de todas as páginas, aquele humor doce e ao mesmo tempo profundamente negro, escrito de forma fluida, e de uma forma que nos impede de parar de devorar palavra atrás de palavra, é a história do mais comum dos homens e a prova acabada que o território mais profícuo à criação é o das almas simples.

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